Aniceia Ribeiro
A indústria da insegurança: Como a Direita se beneficia do medo
A segurança pública no Brasil é um problema gravíssimo
A tragédia da cena de corpos empilhados em uma praça do Rio de Janeiro ainda estava sendo processada por muitos de nós, quando o Governador Cláudio Castro surpreendeu ao declarar à imprensa que a ação de suas forças policiais representava um “sucesso”. Essa declaração é um sintoma de uma sociedade que parece ter perdido a sensibilidade diante da violência e da morte.
É crucial refletirmos sobre como uma sociedade pode reagir com certa exuberância diante de uma pilha de mortos. Que mentalidade, quais relações sociais e que fundamentos simbólicos permeiam as diferenças entre grupos? O que define nossa cultura e sociedade?
Subsequentemente, governadores de direita se reuniram no Palácio Guanabara para expressar sua “solidariedade” ao comandante da operação que resultou no massacre. Essa manobra mostra que a questão da segurança pública se tornou um trunfo para a direita nas eleições presidenciais.
A segurança pública no Brasil é um problema gravíssimo. É cada vez maior o número de brasileiros que estão cotidianamente submetidos ao domínio perverso do crime organizado, que ocupa o vácuo deixado pelo Estado. Estima-se que facções criminosas e milícias dominem hoje mais de 20% da região metropolitana do Rio de Janeiro, explorando não apenas o tráfico, mas todos os tipos de atividade.
O Rio, no entanto, é apenas a ponta do iceberg. Além disso, o Estado tem sofrido com a liderança de alguns dos piores governadores do Brasil, o que é impressionante, dado o nível de concorrência. Essas questões estão interligadas. A sensação de insegurança faz com que o eleitor esteja disposto a apoiar qualquer figura que promova um discurso de “mão firme contra o crime”.
Politicamente esses eventos abrem espaço para propaganda populista voltada para as massas sedentas por paz, que, no entanto, acreditam na guerra sangrenta como meio. O fato é que, onde o Estado não impõe a lei e não constrói estruturas elementares de urbanização ou políticas básicas de bem-estar, o crime se impõe. O tráfico e as milícias assumem o controle sobre todas as atividades econômicas, espoliando e subordinando a população.
Para a direita, a perpetuação da insegurança se torna uma oportunidade valiosa. Assim como se falava da “indústria da seca”, há uma “indústria da insegurança”. O discurso punitivista é facilmente reciclado e, quando necessário, basta um massacre para provocar um respiro temporário diante da opinião pública.
Atualmente, isso se reflete no governador Cláudio Castro, uma figura com um histórico obscuro, ligada à direita católica. Castro, apesar de suas evidentes incompetências e sérias suspeitas de corrupção, viu sua popularidade crescer após a chacina do dia 28 de outubro. Ele é um dos sintomas da falência da política brasileira, especialmente no Rio de Janeiro.
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