• Delmiro Gouveia, 31/01/2026
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Aniceia Ribeiro

O Brasil à beira das eleições de 2026

Com a contagem regressiva para as próximas eleições, a incerteza sobre a habilidade de Lula em consolidar um governo que atenda às expectativas populares e enfrente a extrema-direita se intensifica

Imagem ilustrativa
O Brasil à beira das eleições de 2026

O Brasil se aproxima das eleições de 2026, em que escolherá, entre outros, o Presidente da República, em um cenário político tenso, com a esquerda na defensiva, e solidamente representada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) sob a liderança de Lula, enquanto a direita se encontra fragmentada, ainda sob a influência do bolsonarismo. E o que poderia ser considerado um "centro" político se mostra praticamente inexistente, refletindo a polarização exacerbada na sociedade. Não temos centro, mas temos centrão: políticos que pensam apenas em suas vantagens de curto prazo (cargos, verbas,...).  

A direita, com suas disputas internas pelo legado eleitoral do ex-presidente Bolsonaro, ainda não conseguiu se distanciar efetivamente de sua figura. A direita tornou-se sinônimo de bolsonarismo. A falta de uma estrutura partidária robusta sinaliza fragilidades nessa liderança, o que pode dificultar a formação de uma oposição unificada. Por outro lado, o PT, apesar de estar no governo, é alvo de críticas por sua ausência de propostas inovadoras e pela incapacidade de enfrentar questões fundamentais como os direitos trabalhistas e políticas ambientais, que continuam a preocupar uma parte significativa da população.

Apesar de conquistas notáveis, como a redução do desemprego e a saída do mapa da fome, o governo enfrenta um desafio: a ausência de um plano de desenvolvimento coeso. A política de saúde, por exemplo, não conseguiu sequer recuperar a cobertura vacinal, o que ofereceu foi a transferência de pacientes do SUS para a rede privada. Na educação, a falta de diálogo com estudantes e profissionais tem prejudicado as reformas necessárias. O que houve foi a distribuição de dinheiro em forma de “pés-de-meia”. Na segurança pública, a falta de um projeto claro deixou a população vulnerável à narrativa punitivista da direita.

O ambiente político é ainda mais complexo devido à dificuldade do lulismo em reativar a solidariedade de classe. As promessas de transformação e melhoria das condições de vida não têm ressoado junto à população, especialmente em tempos de inflação elevada, que corroem o bem-estar que o alívio na situação econômica podia gerar. A interação entre a crítica da direita e a percepção de ineficácia do governo limita a capacidade de responder efetivamente às demandas sociais.

Com a contagem regressiva para as próximas eleições, a incerteza sobre a habilidade de Lula em consolidar um governo que atenda às expectativas populares e enfrente a extrema-direita se intensifica. O cenário sugere que, sem uma mudança significativa na abordagem política e uma reativação do engajamento popular, os próximos anos podem se revelar desafiadores e marcados pela continuidade de uma agonia política.

Neste contexto, o prognóstico para as eleições de 2026 é de um pleito desafiador. As pesquisas de intenção de voto mostram Lula ligeiramente à frente de possíveis adversários, mas essas pesquisas, dadas as circunstâncias atuais, são frágeis e não se traduzem em apoio real. O desempenho de Lula em campanhas anteriores levantou preocupações sobre sua capacidade de engajamento, especialmente considerando a possibilidade de enfrentar um oponente mais articulado do que Bolsonaro.

Além disso, a influência de desinformação e manipulação nas plataformas digitais torna o ambiente eleitoral ainda mais complicado. A luta pela construção de um futuro mais justo para o Brasil depende, em grande parte, da habilidade do governo em recuperar a solidariedade popular e de se articular com a sociedade de maneira mais efetiva. Afinal, a distância entre as elites e a população é um fator que não pode ser ignorado. Lula está ainda mais envelhecido do que em 2022. Ganhar a votação parece possível. Apesar da possibilidade de vencer as eleições, a perspectiva  de Lula exercer um quarto mandato de forma menos restrita e avançar na agenda política sem a ameaça da extrema-direita em 2030 permance incerta. 


A opinião de nossos colunistas não reflete necessariamente a opinião da Editora Guia Mais.




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