Bruno Mafra
Da recusa da política partidária ao start do intervencionismo teológico
Silas Malafaia - Parte 02
O Pr. Silas Malafaia, como todo pentecostal clássico, foi sempre um defensor do distanciamento entre a política partidária e a igreja evangélica. Em 2002, mesmo declarando apoio ao então presidente Lula, ele declarou: “Quando uma igreja faz uma opção por uma candidatura, deixa de ser igreja, porque, afinal de contas, quem é o Senhor da Igreja é Jesus.”
O que mudou de lá para cá? O Silas já não suportava mais o estilo pentecostal de ser ao longo de sua transformação para se tornar um empresário de igreja. É sempre feita a pergunta se o Silas tivesse optado por permanecer na CGADB – Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil, se ele seria uma voz importa e, sem dúvida, que sim, mas estaria subalterno e preso ao uso do “bigode” e estatutos da AD.
Silas entendeu que sua fala passada em 2002 não fazia mais sentido. Ele já não tinha uma tradição para defender, uma interpretação bíblica definida para obedecer e uma liderança eclesiástica à qual deveria se submeter. Ele agora faria sozinho as regras do jogo, porque agora era ele quem seria o responsável por criar a sua tradição eclesiástica, faria a interpretação da Bíblia e seria a liderança máxima da igreja.
Silas dá então seus passos definitivos para a mudança de postura pastoral. Funda sua própria igreja, a ADVEC – Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
1 – Muda o seu visual (deixou de ser aquele pastor com o velho paletó e adotou um visual de executivo de negócios e até esportivo dentro da sua igreja).
2- Abandonou o modelo de igreja das Assembleias de Deus, que já tinha pouca ou nenhuma relação com a arquitetura cristã, e faz um espaço shopping de culto que em nada favorece a oração e produz no fiel a compreensão de que ele é destinado ao sucesso.
3 – Passa a produzir teologia abertamente pública em defesa do modelo social vigente com viés conservador nos valores. Não ao casamento de pessoas do mesmo sexo, liberação de drogas e despenalização do aborto.
Em 2014, Silas fará sua primeira interferência em eleições no Brasil, tentando emplacar pautas conservadoras e conclamando os evangélicos a marchar junto com ele. A presidente Dilma foi sua primeira vítima. Ela, sob forte pressão, tentando a reeleição, precisou refazer uma declaração sobre despenalização do aborto.
Silas Malafaia logo entendeu que poderia, que não daria para pautar a eleição no todo, mas pelo menos daria para incomodar candidatos que não defendessem aquilo que ele passou a chamar de pauta inegociável dos evangélicos.
Continua na parte final...

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