• Delmiro Gouveia, 21/02/2026
  • A +
  • A -
Publicidade

Bruno Mafra

Igreja, Confiança e o Desafio da Moradia: Reflexões sobre a CF 2026

Situação de rua: mais de 365 mil pessoas viviam em situação de rua no final de 2025


Igreja, Confiança e o Desafio da Moradia: Reflexões sobre a CF 2026 Imagem/Divulgação

Pesquisa do Datafolha, divulgada em agosto de 2025, apontou a Igreja Católica como a instituição com maior confiança entre os brasileiros, com 85% de aprovação (soma de quem confia muito e um pouco).

Apesar de ataques da extrema direita e de milícias digitais extremistas, a Igreja continua com ampla credibilidade entre os brasileiros, sendo a instituição em que o povo mais confia.

Já faz algum tempo que temos no Brasil uma extrema direita católica organizada, com características bem definidas. São monarquistas, inimigos da Revolução Francesa e defensores do que chamam de “missa de sempre”, ou Missa Tridentina, em latim.

Condenam a nova missa e acreditam que a Igreja Católica se perdeu depois do Concílio Vaticano II, rendendo-se à modernidade.

Vamos ao tema da CF 2026: Fraternidade e Moradia, que no Brasil é urgente.

O déficit habitacional no Brasil, que compreende famílias sem moradia própria, vivendo em condições precárias ou com ônus excessivo de aluguel, está em cerca de 5,9 a 6,2 milhões de unidades. Esse número representa cerca de 8,3% das habitações ocupadas, impactando principalmente as regiões Sudeste e Nordeste.

Situação de rua: mais de 365 mil pessoas viviam em situação de rua no final de 2025.

Moradias improvisadas: cerca de 160 mil pessoas vivem em abrigos improvisados.

Imóveis vazios: ao mesmo tempo, o país possui milhões de domicílios vagos, estimando-se mais de 11 a 12 milhões de imóveis desocupados.

A contradição entre necessitados de moradia no Brasil e imóveis desocupados é simplesmente inaceitável.

O lema da CF é: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).

Jesus tinha família, trabalho e residência própria. Em um primeiro momento, até os 30 anos, antes de iniciar sua missão, tinha residência fixa, pai, mãe e a segurança de um lar para onde voltar.

A teologia aqui fica óbvia: Ele é o Deus encarnado que desejou ter o seu lar aqui na Terra.

O que essa teologia nos revela? A nossa necessidade de termos esse referencial em determinado momento da vida, até construirmos o nosso próprio espaço de vida.

Nem é preciso aprofundar a situação de pessoas em situação de rua, principalmente crianças, que estão sujeitas a todos os tipos de violência.

Jesus, sem um lar como referência, teria sido morto ainda criança pelo rei Herodes.

A CNBB, em mais um ano, nos convoca à profecia de anunciar o Evangelho, que é ferramenta de denúncia de injustiças de todos os tipos.


A opinião de nossos colunistas não reflete necessariamente a opinião da Editora Guia Mais.



COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.