Número de mortos em Gaza passa de 100; Forças de Defesa de Israel iniciam nova ofensiva

Ministro da Defesa de Israel afirmou que vai mobilizar forças em cidades de Israel onde também há população árabe. Conselho de Segurança da ONU vai fazer uma terceira reunião em uma semana para discutir os conflitos.


Por G1 em 14/05/2021 às 08:18 hs

Número de mortos em Gaza passa de 100; Forças de Defesa de Israel iniciam nova ofensiva
Foto: Mohammed Salem/Reuters

O número total de palestinos falecidos nos bombardeios israelenses nos últimos dias em Gaza subiu para 109 — incluindo 27 crianças, anunciou nesta quinta-feira (13) o ministério da Saúde da Faixa de Gaza, governada pelo movimento Hamas.

Entre as vítimas fatais estão 27 menores de idade e 11 mulheres. Os ataques também deixaram 621 feridos, de acordo com o ministério.

Também nesta quinta, as Forças de Defesa de Israel anunciaram uma nova ofensiva com a participação de forças de solo. Embora inicialmente agências de notícias ocidentais tenham informado que se tratava de uma ação dentro do território de Gaza, os militares israelenses negaram que tenha havido uma incursão.

Ainda assim, os militares alertaram cidadãos israelenses da cidade de Negev a permanecerem próximos de abrigos. O comando das forças afirmou que aqueles que vivem em uma zona de até quatro quilômetros da fronteira com Gaza devem permanecer em suas casas ou outros locais seguros até serem liberados.

"Qualquer incursão terrestre em qualquer área da Faixa de Gaza será a ocasião para aumentar o número de mortos e prisioneiros nas fileiras do inimigo", alertou o braço armado do Hamas, segundo a agência France Presse.

Fontes militares de Israel afirmaram que o país bombardeou Gaza mais de 600 vezes desde segunda-feira.

Os movimentos palestinos lançaram, a partir da Faixa de Gaza, mais de 1.600 foguetes contra o território de Israel.

Desde o início da semana, sete pessoas morreram em Israel, incluindo um menino de seis anos, e centenas ficaram feridas.

Ministro da Defesa ordena mobilização

O ministro israelense da Defesa, Benny Gantz, ordenou, nesta quinta-feira, a mobilização "maciça" de forças de segurança para cidades onde coabitam israelenses e palestinos com cidadania israelense, de modo a combater a violência interna registrada nos últimos dias.

"Estamos em uma situação de emergência e agora é necessário reforçar maciçamente as forças no terreno", disse o ministro em um comunicado.

Ele informou ainda que convocará oficiais da reserva da guarda fronteiriça, que normalmente opera na Cisjordânia, território ocupado por Israel. Segundo a agência Associated Press, já foram convocados 9 mil militares da reserva.

Conflito chega a cidades israelenses

A escalada da violência acontece em duas frentes: além da Faixa de Gaza, há distúrbios nas cidades habitadas por judeus e árabes.

Israel acionou os alertas de foguetes em diversas regiões do país, inclusive em Tel Aviv, pela primeira vez desde o início da escalada na segunda-feira. Todos os voos com destino ao aeroporto internacional desta cidade foram desviados.

Durante a madrugada, cinco pessoas ficaram feridas na explosão de um projétil que caiu em um complexo residencial perto de Tel Aviv.

Ao mesmo tempo, a aviação israelense bombardeou posições do grupo Hamas na Faixa de Gaza, um território palestino com dois milhões de habitantes sob bloqueio de Israel.

Entre os alvos há locais que eram usados em operações de "contraespionagem" do grupo islamita e a residência de um dos comandantes do Hamas, Iyad Tayeb.

O grupo islamita anunciou na quarta-feira a morte do comandante de seu braço militar para a cidade de Gaza. O serviço de inteligência israelense informou que outros dirigentes do Hamas morreram nos bombardeios.

A aviação israelense destruiu um edifício de mais de 10 andares que abrigava os escritórios da rede de televisão Al Aqsa, criada pelo Hamas.

Em represália, o Hamas lançou na quarta-feira à noite mais de 100 foguetes contra Israel. Muitos foram interceptados pelo sistema antimísseis Cúpula de Ferro.

Esplanada das Mesquitas em Jerusalém

A situação na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém, onde a violência começou na semana passada, parecia mais calma nesta quinta-feira. Várias cidades de Israel registram distúrbios noturnos, no entanto.

Militantes de extrema-direita saíram às ruas em todo o país e provocaram confrontos com as forças de segurança e, em alguns casos, com árabes israelenses. Incidentes violentos foram registrados em várias cidades, em particular, Lod, Acre e Haifa.

O país ficou abalado com a transmissão, ao vivo pela televisão, do linchamento de um homem, considerado árabe por seus agressores, perto de Tel Aviv.

As imagens mostram um homem que foi retirado à força de seu veículo e chutado no chão por uma multidão, até perder a consciência.

"O que está acontecendo nos últimos dias nas cidades de Israel é insuportável. Nada justifica este linchamento de árabes pelos judeus e nada justifica o linchamento de judeus pelos árabes", declarou Benjamin Netanyahu, antes de afirmar que Israel enfrenta um "combate em duas frentes".

Conselho de Segurança da ONU fará terceira reunião

Com a intensificação dos combates, o Conselho de Segurança da ONU terá uma nova reunião na sexta-feira, a terceira em uma semana.

Durante as duas primeiras videoconferências, os representantes dos Estados Unidos não aceitaram uma declaração conjunta para pedir o fim dos confrontos, por considerá-la "contraproducente" neste momento, segundo fontes diplomáticas.

Washington, no entanto, anunciou o envio de um emissário a Israel e aos Territórios Palestinos ocupados para estimular uma "desescalada", enquanto Moscou pediu uma reunião do Quarteto para o Oriente Médio (União Europeia, Rússia, EUA, ONU).

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que conversou por telefone com o presidente americano, Joe Biden, disse que pretende seguir bombardeando para enfraquecer a capacidade militar do Hamas.

O presidente palestino, Mahmud Abbas, está na Cisjordânia. Ele conversou com o chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, para pedir ajude a para acabar com "os ataques israelenses".

Blinken expressou a "necessidade de acabar com os ataques de foguetes e reduzir as tensões".



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