BC impôs sigilo de oito anos sob documentos da liquidação do Banco Master
Ao impor sigilo até 2033, Banco Central indicou que divulgação iria contra “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”
Fachada do prédio do Banco Central em Brasília • 18/12/2024 REUTERS/Adriano Machado O BC (Banco Central) classificou como secretos os documentos relacionados à decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, impondo sigilo de oito anos sob os processos. A informação consta em resposta a um pedido feito pela CNN via LAI (Lei de Acesso à Informação).
De acordo com o Banco Central, a divulgação imediata dos documentos do caso Master iria contra o “interesse público na preservação da estabilidade financeira, econômica e monetária do país”.
A classificação do sigilo foi indicada pelo presidente do BC, Gabriel Galípolo, em novembro de 2025. Sendo assim, os arquivos sobre a interrupção das atividades do Banco Master devem permanecer secretos até novembro de 2033.
A autarquia federal também fundamentou, juridicamente, a aplicação do segredo com o argumento de que os documentos podem comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações.
TCU acionou BC sobre sigilo
No final de março deste ano, conforme apuração da CNN, o ministro Jhonatan de Jesus, relator das investigações no TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a conduta do Banco Central na liquidação extrajudicial do Banco Master, acionou a autoridade monetária sobre a eventual retirada de sigilo das documentações anexadas ao processo.
No despacho, assinado em 24 de março, o ministro solicitou que o BC indique especificamente quais peças ou trechos do processo precisam permanecer sob restrição de acesso ou se todos os documentos podem ser liberados publicamente.
Liquidação do Master
O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. A decisão foi motivada por "grave crise de liquidez" e "graves violações" às normas do SFN (Sistema Financeiro Nacional).
"A decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do Conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN", informou a autoridade monetária em nota na época.
Foram liquidados de forma extrajudicial o Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento S/A, do Banco Letsbank S/A, e da Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários. Dados divulgados pelo BC indicavam que o conglomerado do Banco Master detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do SFN.
Fonte: CNN Brasil

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