Hugo busca aproximação com Lula em 2026
Presidente da Câmara investe em relação amistosa com o Planalto em ano eleitoral
O deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) • 03.02.2025 - Ricardo Stuckert/PR O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve adotar em 2026 uma postura mais colaborativa em relação ao Palácio do Planalto. A mudança de tom ocorre em meio ao calendário eleitoral e reflete interesses políticos de ambos os lados, segundo avaliação de interlocutores de Hugo e do presidente Lula.
Em 2025, Hugo esteve no centro de embates relevantes com o governo. Um dos episódios mais emblemáticos foi a crise em torno do IOF, quando a Câmara rejeitou a elevação do imposto, impondo uma derrota expressiva ao Planalto. A controvérsia acabou sendo judicializada e a palavra final foi dada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). No campo político, o governo reagiu com uma campanha pública contra o Congresso, personificada na figura do presidente da Câmara.
A estratégia de Hugo de priorizar uma agenda interna corporis, voltada a interesses parlamentares, acirrou o conflito e deu munição ao governo para estimular mobilizações contra o Legislativo, como nos debates sobre a PEC da Blindagem e o PL da Antifacção.
Até dezembro, a relação foi marcada por episódios de tensão. No final do ano, Hugo liderou a votação do PL da Dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos golpistas do oito de janeiro. A proposta foi vetada por Lula e ainda representa um potencial ponto de atrito na relação entre os Poderes.
Ainda assim, o cenário começou a mudar antes do recesso. Hugo Motta passou a adotar um discurso mais conciliador, após a indicação de um aliado político ao Ministério do Turismo. O gesto foi interpretado como um aceno direto do presidente da República a Hugo e abriu espaço para uma reaproximação entre os dois.
Neste ano, o presidente da Câmara sinalizou alinhamento ao governo ao indicar o avanço da PEC da Segurança Pública e da MP do Vale-Gás, duas prioridades do Executivo. Além de destravar pautas sensíveis para o governo, os movimentos podem ajudar Hugo Motta a buscar uma liderança mais ativa entre os deputados com a oportunidade de construir uma marca para sua gestão.
Nos bastidores, aliados admitem, porém, que a reaproximação também tem objetivos eleitorais: Hugo Motta busca o apoio de Lula para a candidatura de seu pai, o prefeito de Patos (PB), Nabor Wanderley, ao Senado em 2026. A disputa, no entanto, enfrenta resistência do PT no estado, que já declarou apoio ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) e ao ex-governador João Azevêdo (PSB). O presidente Lula ainda não se manifestou publicamente.
Auxiliares do presidente avaliam que Lula tende a preservar a relação com Motta. Mesmo sem uma definição sobre o cenário eleitoral na Paraíba, diante das dificuldades para formar uma maioria sólida na Câmara e conter resistências do centrão, o Planalto vê no presidente da Câmara um aliado estratégico para avançar projetos de interesses do governo e reduzir riscos de embates com o centrão.
Por sua vez, com respaldo de Lula, Hugo Motta amplia espaço político dentro da Casa, mantém a possibilidade de dividir palanque com o presidente em seu reduto eleitoral e costurar sua recondução à presidência da Casa.
Fonte: CNN Brasil



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