Irã prende quatro estrangeiros ligados a protestos contra o regime
Mídia estatal não especificou nacionalidade dos detidos
Veículos em chamas durante protestos antigovernamentais no Irã no dia 8 de janeiro • WANA VIA REUTERS A polícia do Irã prendeu quatro estrangeiros em conexão com os protestos de janeiro, informou a mídia estatal iraniana nesta segunda-feira (2), sem especificar a nacionalidade dos envolvidos.
A mídia estatal citou a polícia iraniana dizendo que os quatro estrangeiros foram presos "em uma operação dentro de seu esconderijo". Quatro granadas de efeito moral caseiras foram encontradas em uma de suas malas.
Acredita-se que milhares de iranianos tenham sido mortos na repressão aos protestos antigovernamentais do mês passado. As autoridades iranianas culpam países estrangeiros por fomentarem a violência, o pior episódio de agitação interna desde a Revolução Islâmica de 1979.
As autoridades têm anunciado prisões diárias de suspeitos de liderarem os protestos. O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou na segunda-feira que quase 50 mil pessoas já foram presas.
Entenda a tensão entre Irã e Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar um ataque militar contra o Irã caso o país não negocie um novo acordo nuclear que "seja justo com todas as partes".
O líder americano disse que enviou uma "grande frota" para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35.
Autoridades iranianas, por sua vez, refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer "em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado".
Araghchi também alertou que as Forças Armadas do Irã estão totalmente preparadas para responder “imediata e poderosamente” a qualquer agressão contra o território, o espaço aéreo ou as águas iranianas.
A escalada da tensão entre o Irã e os EUA neste ano teve início com a repressão aos protestos antigovernamentais no início de janeiro no país do Oriente Médio. A população iraniana se revoltou com a inflação desenfreada, tomando as ruas em manifestações contra o regime.
Trump alertou repetidamente que "atacaria com força total" se as autoridades iranianas reprimissem violentamente as manifestações, afirmando que o país estava "pronto e armado".
Durante os protestos, um bloqueio de internet foi imposto no país e mais de 5 mil manifestantes foram mortos, segundo grupos de direitos humanos.
Ali Shamkhani, conselheiro do líder supremo do Irã, afirmou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o "início de uma guerra".
Fonte: Reuters



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