CNDL alerta para limites do Desenrola 2.0 e cobra medidas estruturais do governo federal
Entidade avalia que programa pode aliviar dívidas no curto prazo, mas não resolve causas do endividamento
Presidente da CNDL, José César da Costa - Foto: Divulgação A Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) se posicionou nesta segunda-feira (4) sobre o programa de renegociação de dívidas do Governo Federal, o Desenrola 2.0, destacando que a iniciativa pode ajudar milhões de brasileiros a renegociar débitos, mas tende a ter efeito limitado sem mudanças estruturais na economia.
Segundo a entidade, programas de renegociação são importantes para dar fôlego imediato ao consumidor inadimplente. No entanto, a CNDL defende que essas ações precisam vir acompanhadas de medidas mais amplas, como ajuste fiscal e políticas consistentes de educação financeira.
Para a confederação, o atual cenário econômico compromete a efetividade de iniciativas como o Desenrola 2.0. Enquanto houver desequilíbrio nas contas públicas, a pressão sobre a inflação e as taxas de juros deve continuar elevada, dificultando o cumprimento dos novos acordos firmados pelos consumidores.
A avaliação é que, mesmo após limpar o nome, parte significativa da população volta rapidamente à inadimplência por não conseguir manter o equilíbrio financeiro no dia a dia.
Risco de efeito temporário
A CNDL alerta que o Desenrola 2.0 pode se tornar apenas uma solução paliativa. Embora reconheça a relevância da medida para enfrentar o alto nível de endividamento das famílias, a entidade afirma que o país não pode depender exclusivamente de programas pontuais.
Na análise da confederação, há risco de o programa gerar apenas um alívio momentâneo, sem impacto duradouro na saúde financeira da população brasileira.
Defesa de ambiente econômico estável
Como alternativa, a entidade defende a construção de um ambiente econômico mais estável, baseado em responsabilidade fiscal, redução da burocracia e maior previsibilidade. Esses fatores, segundo a CNDL, são essenciais para estimular o consumo de forma sustentável e recuperar o poder de compra dos brasileiros.
Além disso, a confederação reforça a importância da educação financeira como ferramenta para evitar o retorno ao ciclo de endividamento. A proposta é preparar o consumidor para uma gestão mais consciente do orçamento, reduzindo a dependência de crédito e o risco de novos atrasos.
Mesmo diante das críticas, a CNDL reconhece que o enfrentamento da inadimplência precisa ser prioridade do Governo Federal, mas ressalta que soluções duradouras exigem mais do que programas emergenciais — demandam mudanças estruturais capazes de garantir estabilidade econômica e segurança financeira à população.
O Programa
Lançado nesta segunda-feira (4), o Novo Desenrola Brasil busca ajudar famílias, estudantes e pequenos empreendedores a renegociar dívidas, limpar o nome e recuperar o acesso ao crédito.
A nova fase da iniciativa terá duração de 90 dias e prevê descontos de até 90%, juros reduzidos e a possibilidade de uso do FGTS para abatimento de débitos.
A medida foi formalizada por meio de medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia visa promover a reorganização financeira de milhões de brasileiros e ampliar o acesso ao crédito em condições mais favoráveis.


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