Entenda como tensão no Estreito de Ormuz afeta cessar-fogo entre EUA e Irã
Países trocaram ataques na passagem marítima, levantando dúvidas sobre se a pausa na guerra continuará em vigor
Navios-tanque no Golfo perto do Estreito de Ormuz • 11/3/2026 | REUTERS/Stringer Os Estados Unidos e o Irã trocaram ataques no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (4), segundo o chefe militar americano, colocando o cessar-fogo entre os países em xeque mais uma vez.
De acordo com o almirante Bradley Cooper, chefe do Comando Central, o regime iraniano lançou “múltiplos mísseis de cruzeiro, drones e pequenas embarcações” contra navios da Marinha dos EUA e navios comerciais que estavam sendo protegidos pelos militares americanos.
Em resposta, os Estados Unidos disseram que "explodiram" pequenas embarcações iranianas. O presidente Donald Trump publicou nas redes sociais que sete barcos foram destruídos e que um navio da Coreia do Sul foi atingido pelos iranianos.
Isso acontece em meio a um impasse nas negociações para fim da guerra e temores de que o conflito na região possa recomeçar.
Tensão em Ormuz ameaça o cessar-fogo?
Priscila Caneparo, pós-doutora em Direito Internacional e professora da Washington & Lincoln University, alerta que o aumento de ataques e possível apreensão de navios no Estreito de Ormuz pode gerar um "efeito dominó" e levar a uma resposta desproporcional por parte dos EUA ou do Irã, reiniciando a guerra.
O regime iraniano insiste que a via marítima está fechada. A Marinha da Guarda Revolucionária divulgou um mapa do estreito, destacando a área que diz estar sob seu controle e alertando que embarcações na região que não seguirem seus protocolos correm "sérios riscos".
Também nesta segunda, Trump alertou que as forças iranianas seriam "varridas da face da Terra" caso tentassem atacar navios americanos em Ormuz ou no Golfo Pérsico. Os EUA prometeram proteção para embarcações que queiram passar pela região.
"O resultado é um cessar-fogo muito frágil nesse momento, perpetuando a possibilidade de se ter uma quebra desse cessar-fogo a qualquer momento. E aí a gente poderá observar os Estados Unidos atacando novamente o território iraniano", comenta Caneparo.
"E cada vez mais a gente vê um aprofundamento dessa crise do petróleo, que vai impactar a economia global como um todo", adiciona.
A especialista também chama atenção para a redução do espaço para a diplomacia, afetando a possibilidade de novas negociações entre os países.
Segundo a professora, a troca de ataques em Ormuz pode quebrar ainda mais a confiança entre EUA e Irã e a abertura para que o conflito termine.
"Existe uma possibilidade de escalada e de que não tenha confiança mútua para acabar com essa guerra imediatamente. Reduz o espaço diplomático, e, se a diplomacia acaba não funcionando, vale a lei mais forte", conclui.
EUA não dizem se cessar-fogo foi rompido
Em meio aos questionamentos sobre a continuidade do cessar-fogo e os novos ataques, autoridades dos Estados Unidos se recusaram a dizer se a pausa na guerra ainda está em vigor.
Donald Trump foi perguntado sobre o assunto pelo radialista Hugh Hewitt, mas respondeu: "Bem, não posso lhe dizer isso. Se eu respondesse a essa pergunta, você diria que este homem não é inteligente o suficiente para ser presidente.
Além disso, o almirante Bradley Cooper também destacou que "não entraria em detalhes" sobre o cessar-fogo.
"Acho que o ponto principal para nós é que estamos lá apenas como uma força defensiva, para fornecer uma camada robusta de proteção à navegação comercial, permitindo que os navios mercantes saiam do Golfo Pérsico", comentou.
Por CNN Brasil, com informações de Donald Judd e Natasha Bertrand, da CNN


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