Chance de matar Khamenei definiu momento do ataque
Fornecimento iminente de míssil chinês para o Irã, feriado judaico e eleições este ano contribuíram para escolha
Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, durante discurso realizado na capital, Teerã, em 17 de janeiro • Iranian Leader Press Office/Getty Images O momento escolhido para o ataque ao Irã respondeu a múltiplos fatores táticos, estratégicos e de política interna. Especificamente a manhã de sábado (28) foi definida por causa de uma reunião do líder supremo Ali Khamenei com seus principais assessores de segurança, incluindo o conselheiro de Segurança Nacional, Ali Shamkhani, e o comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, Mohammad Pakpour.
De acordo com fontes ouvidas pelo jornal Financial Times, a inteligência israelense hackeou as câmeras de trânsito de Teerã e acompanhava os movimentos de Khamenei e seus auxiliares. Além disso, a inteligência americana recebeu confirmação de fonte humana da reunião de Khamenei em seu gabinete, no complexo residencial em que ele vivia na capital iraniana.
Khamenei dispunha de dois bunkers mas se recusava a restringir seus movimentos e insistia em usar seu gabinete. Analistas iranianos consideram que, sobretudo depois dos intensos protestos contra o regime em dezembro e janeiro, que deixaram clara a impopularidade da teocracia, Khamenei, de 86 anos, contemplava a possibilidade de ser morto por americanos e israelenses e entrar para a história como “mártir”.
Os planejadores militares americanos e israelenses consideravam que a decapitação, sobretudo do líder supremo, precisava abrir os bombardeios, caso contrário, uma vez iniciada a campanha, os líderes visados buscariam proteção e a oportunidade seria perdida.
O local onde se realizava a reunião foi alvo de 30 mísseis disparados por aviões israelenses. Mesmo assim nem todos os presentes foram mortos. Ali Larijani, por exemplo, importante assessor de segurança de Khamenei, sobreviveu. No total, 49 comandantes militares e autoridades civis foram mortos.
Em termos estratégicos, há informações de que a China estaria próxima de fornecer ao Irã mísseis de cruzeiro antinavio do tipo CM-302. Por serem supersônicos e voar baixo, os sistemas de defesa americanos enfrentariam dificuldades de interceptá-los, tornando vulneráveis os navios de guerra dos EUA.
O governo israelense tinha um forte incentivo político para iniciar a operação no sábado, por ser o Shabat antes do Purim, feriado judaico celebrado nesta segunda para terça-feira. A data lembra a luta dos judeus para se defender de uma campanha de extermínio lançada pelo vizir persa Haman no século 5.o a.C.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chamou a atenção para isso no seu pronunciamento sobre a campanha contra o Irã, no sábado: “Meus irmãos e irmãs, em dois dias celebraremos o feriado do Purim. Há 2.500 anos, na antiga Pérsia, um tirano se levantou contra nós com o mesmo objetivo: destruir nosso povo completamente”.
Netanyahu concluiu: “Hoje, contra o inimigo, com o comando antigo ‘Lembrem o que Amaleque fez a vocês’ soando em nossos ouvidos, estamos unindo forças para assegurar a eternidade de Israel”.
De acordo com a tradição, Haman seria descendente de Amaleque, que perseguiu os judeus no deserto durante seu Êxodo do Egito. A frase sobre a lembrança da perseguição de Amaleque é atribuída a Deus no livro de Deuteronômio, no Velho Testamento.
Netanyahu enfrenta eleições no dia 27 de outubro e as pesquisas indicam que seu grupo pode sair derrotado. Os Estados Unidos também elegem toda a Câmara e um terço do Senado, em 4 de novembro, e o baixo índice de aprovação de Donald Trump, pouco acima de 30%, pode prejudicar os republicanos.
Entretanto, pelo menos no que se refere aos EUA, a guerra pode não ajudar o partido do governo. Pesquisa do instituto Ipsos para a agência Reuters revelou no domingo que apenas 27% dos eleitores americanos apoiam o ataque ao Irã.
Por Lourival Sant'Anna I CNN Brasil



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