Ibovespa fecha em queda com eleição e guerra no radar; dólar sobe a R$ 5,04
Índice encerra o dia no menor patamar desde janeiro
Painel de cotações na B3. (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli) O Ibovespa fechou em baixa nesta terça-feira (19), em níveis de janeiro, com um ambiente externo desfavorável para o mercado brasileiro. O viés negativo na bolsa paulista teve como pano de fundo o recuo nos preços de commodities como minério de ferro e petróleo, bem como aumento nos rendimentos dos Treasuries.
Investidores também digerem a nova pesquisa eleitoral mostrando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu terreno na disputa presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem.
O Ibovespa fechou em queda de 1,52%, aos 174.278,86 pontos.
Já o dólar à vista encerrou o dia em alta de 0,86%, cotado a R$ 5,0416 na venda.
Em abril, o Ibovespa superou pela primeira vez os 199 mil pontos durante o pregão do dia 14, alimentando expectativas de que romperia a marca inédita dos 200 mil pontos. Mas o fôlego arrefeceu, minado principalmente pela saída de estrangeiros da bolsa.
De acordo com dados da B3, até o dia 15, o saldo de capital externo estava negativo em R$ 9,6 bilhões, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$ 3,2 bilhões -- mas até o dia 15 eram R$ 14,6 bilhões. No ano, a bolsa ainda registra uma entrada líquida de R$ 46,9 bilhões.
O Ibovespa, que chegou a acumular uma valorização de mais de 23% até meados de abril (considerando dados de fechamento), agora soma uma alta de menos de 9%.
Embora uma parte da correção ditada pelo fluxo estrangeiro reflita uma rotação para ações de tecnologia no exterior, em movimento alinhado com outros emergentes, estrategistas também têm citado efeito da perspectiva de um ciclo de corte de juros mais lento do que anteriormente esperado no mercado.
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%.
Os preços do petróleo fecharam em queda, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter suspendido um ataque contra o Irã para permitir negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Mas o novo patamar das cotações da commodity tem alimentado preocupações com a inflação no mundo, incluindo o Brasil, mesmo com medidas recentes do governo para amenizar o impacto.
O cenário eleitoral no país também é acompanhado nesta sessão após pesquisa mostrar que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu terreno na disputa presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem. A maior parte do período da pesquisa, de 13 a 18 de maio, ocorreu após a publicação de reportagem sobre relações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, o mercado hoje acredita que Lula não tratará com a seriedade necessária o tema fiscal, que exigirá em 2027 um ajuste mais abrangente.
Nos últimos anos, acrescentou, o atual governo acelerou os gastos, em parte para tentar melhorar a popularidade, o que cria uma "melhora artificial" no crescimento econômico, que não é acompanhada por aumento de produtividade. A consequência, destacou, é o Brasil ter atualmente um dos maiores juros reais do mundo, que mantém forte pressão sobre o endividamento público.
"Embora Flávio não seja o candidato dos sonhos, o mercado o via como uma alternativa", citou.
Pedroso ressaltou que a eleição ainda está longe e muita coisa pode acontecer. Mas, ponderou, o mercado muitas vezes reage a alguns eventos muito mais com o "fígado".
Cenário eleitoral
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) caiu seis pontos percentuais desde abril e acumula 41,8% das intenções de voto contra 48,9% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial, segundo pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça-feira (19).
No último levantamento, Flávio tinha 47,8%, enquanto o petista somava 47,5%. A nova rodada da pesquisa foi feita após a divulgação do áudio entre o pré-candidato do PL e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do extinto Banco Master.
Nos cenários de primeiro turno testados pela pesquisa, o O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também lidera.
O levantamento mostra o petista à frente dos principais nomes da direita, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD); e o líder do MBL (Movimento Brasil Livre), Renan Santos (Missão).
Por CNN Brasil, com informações da Reuters


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