• Delmiro Gouveia, 08/04/2026
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PF deflagra Operação Estágio IV contra desvio de recursos da saúde em Alagoas

Operação mira Secretaria de Estado da Saúde


PF deflagra Operação Estágio IV contra desvio de recursos da saúde em Alagoas Operação mira Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas. Foto: Divulgação/PF
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A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (16), a Operação Estágio IV, com o objetivo de investigar desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no âmbito da saúde em Alagoas. Segundo a PF, foram cumpridos 38 mandados de busca e apreensão, além do cumprimento de medidas cautelares alternativas, incluindo a suspensão do exercício de função pública por 180 dias. As ordens judiciais foram expedidas pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).

A Justiça também determinou o sequestro de bens pertencentes aos investigados, entre eles veículos e imóveis de alto valor. A operação contou com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), da Receita Federal e do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DenaSUS).

Os mandados foram cumpridos em Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal, mobilizando cerca de 170 policiais federais e 26 auditores.

De acordo com as investigações, foram identificados indícios de favorecimento em contratos emergenciais firmados pela Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (SESAU), entre 2023 e 2025, com duas empresas — uma fornecedora de material hospitalar e outra do ramo da construção civil. A Polícia Federal não divulgou os nomes das empresas investigadas.

As contratações diretas somam quase R$ 100 milhões, sendo que parte significativa dos recursos ainda se encontra em execução.

A investigação também apura o desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de ressarcimentos superdimensionados de consultas e procedimentos médicos que não teriam sido realizados, totalizando mais de R$ 18 milhões. Os repasses ocorreram entre setembro de 2023 e agosto de 2025. Apenas em procedimentos de fisioterapia, foram identificados pagamentos incompatíveis com a capacidade operacional de uma clínica privada.

Segundo a PF, parte dos valores desviados foi repassada aos integrantes do grupo criminoso por meio de transferências bancárias, saques em espécie e pagamentos indiretos, configurando um sofisticado esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Para ocultar a origem ilícita dos valores, foram utilizadas interpostas pessoas, especialmente na aquisição de bens imóveis.

Entre os bens investigados está uma pousada localizada em Porto de Pedras/AL, adquirida em 2023 pelo valor de R$ 5,7 milhões, registrada em nome de terceiros. Conforme a PF, o imóvel teria sido pago por empresários beneficiados pelo esquema criminoso.

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam grande quantidade de dinheiro em espécie, em moeda nacional e estrangeira, além de duas armas de fogo.

A Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados, nem informou se houve prisões durante a operação.

O nome Operação Estágio IV faz referência ao estágio terminal de alguns tipos de câncer, numa alusão, segundo a PF, à gravidade dos danos causados pela organização criminosa ao sistema público de saúde em Alagoas.










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