Passa de 100 o nº de mortos após chuvas na Europa; mais de 1,3 mil pessoas estão desaparecidas

Imensa quantidade de água tem causado inundações gigantescas, alagado cidades e derrubado casas na Alemanha e em países vizinhos. Número de vítimas pode crescer consideravelmente.


Por G1 em 16/07/2021 às 08:25 hs

Passa de 100 o nº de mortos após chuvas na Europa; mais de 1,3 mil pessoas estão desaparecidas
Foto fornecida pelo governo do distrito de Colônia em 16 de julho de 2021. — Foto: Rhein-Erft-Kreis

 

Ao menos 117 pessoas morreram devido às chuvas que têm caído nos últimos dias na Europa e estão fazendo os rios transbordarem e levarem tudo pelo caminho.

A tragédia ocorre principalmente na Alemanha, onde 103 mortes foram confirmadas até o momento e 1,3 mil pessoas estão desaparecidas apenas em um distrito ao sul de Colônia, no oeste do país.

Mas as chuvas têm causado transtornos também na Bélgica, na Holanda, na França, na Suíça e em Luxemburgo, embora em menor intensidade. Há também 14 mortos e 4 desaparecidos na Bélgica.

O número de vítimas pode aumentar consideravelmente, com relatos de deslizamentos de terra e casas sendo arrastadas pela água ou desabando devido à força da água nesta sexta-feira (16).

Imagens áreas divulgadas pelas autoridades do distrito de Colônia mostram uma cratera formada por um deslizamento de terra imenso causado pelo excesso de água, que arrastou lama e destroços (veja na imagem acima).

O que se sabe até o momento:

113 mortos na Alemanha

14 mortos e 4 desaparecidos na Bélgica

As regiões mais afetadas na Alemanha são os estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado

1,3 mil pessoas desaparecidas no distrito de Ahrweiler, na Renânia do Norte-Vestfália, a cerca de 40 km ao sul da cidade de Colônia

114 mil casas estão sem energia nos 2 estados, segundo a maior empresa de distribuição do país

Veja no mapa abaixo as cidades mais afetadas pelas chuvas:

O presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, pediu nesta sexta um firme comprometimento com a luta contra as mudanças climáticas e afirmou que esta é a única alternativa para frear fenômenos meteorológicos extremos, como as chuvas intensas que castigam o país.

"Apenas se nos comprometermos de forma resoluta com a luta contra as mudanças climáticas poderemos controlar condições meteorológicas extremas como as que vivemos atualmente", afirmou Steinmeier em um pronunciamento, em que disse estar "profundamente arrasado" pela "tragédia".

1,3 mil desaparecidos

As fortes enchentes no oeste da Alemanha transformaram ruas em rios com correntezas violentas, que "varreram" carros, arrancaram árvores e derrubaram ou arrastaram algumas edificações.

Comunidades inteiras ficaram em ruínas após rios transbordarem e varreram cidades e vilas, sobretudo nos estados alemães da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado.

Autoridades alemãs confirmam que 1,3 mil pessoas são consideradas "não reportadas" apenas no distrito de Bad Neuenahr-Ahrweiler, ao sul da cidade de Colônia.

Ainda não é possível saber quantas estão com problemas de comunicação e quantas podem ser vítimas ainda não localizadas (veja mais abaixo).

Em Erftstadt-Blessem, "as casas foram em grande parte destruídas e algumas desabaram", disseram as autoridades locais em uma rede social. "Várias pessoas estão desaparecidas".

Infrarestrutura danificada

As redes de telefonia móvel entraram em colapso em algumas das regiões atingidas pelas enchentes, e pessoas não estão conseguindo falar com familiares e amigos desaparecidos.

Ao menos 114 mil casas estão sem energia nos estados da Renânia do Norte-Vestfália e Renânia-Palatinado nesta sexta, anunciou a Westnetz, maior empresa de distribuição do país.

A infraestrutura foi completamente destruída e a reconstrução custará muito tempo e dinheiro, disse a premiê da Renânia-Palatinado, Malu Dreyer, a uma televisão alemã. "O sofrimento continua aumentando".

MerkEUAel nos

A chanceler alemã, Angela Merkel, está em visita oficial aos Estados Unidos. É a sua última viagem ao país antes de deixar o cargo, em setembro.

Sobre as chuvas, Merkel afirmou na quinta-feira (15) que "é um dia que se caracteriza pelo medo, pelo desespero e pelo sofrimento", pois "pequenos rios se transformaram em torrentes inundadas e devastadoras".

"Eu ofereço minha empatia e meu coração está com as pessoas que perderam entes queridos. Incluo aqueles na Bélgica, em Luxemburgo e na Holanda", afirmou a chanceler, dizendo que a extensão total da tragédia só será conhecida nos próximos dias.

Cidades afetadas

As autoridades do estado da Renânia do Norte-Vestfália disseram que pelo menos 30 pessoas morreram, enquanto 28 mortes foram relatadas no estado da Renânia-Palatinado, ao sul.

Casas desabaram e foram arrastadas pelas águas na aldeia de Schuld, onde muitos estão desaparecidos e quatro mortes já foram confirmadas.

Outras duas pessoas morreram em porões inundados nas proximidades de Solingen e Unna. A polícia relatou outra morte no município de Rheinbach.

Trabalhos de resgate

Socorristas tentam evacuar pessoas que subiram nos telhados para se protegerem das chuvas, e dois bombeiros morreram durante os trabalhos de resgate nas cidades de Altena e Werdohl.

Os serviços de emergência abriram uma linha telefônica para coletar informações sobre os desaparecidos e pediram aos moradores que enviem vídeos e fotos que possam ajudá-los na busca.

As autoridades locais também pediram aos afetados que fiquem em casa e, se for possível, nos andares mais altos de seus edifícios.

Em Wuppertal, autoridades alertam que uma barragem ameaçava estourar.

No condado de Rhine-Sieg, ao sul de Colônia, a polícia ordenou a evacuação de vários vilarejos abaixo do reservatório Steinbachtal, em meio a temores de que a barragem também pudesse romper.

Inundações na Bélgica

Na Bélgica, chuvas constantes durante a noite pioraram as inundações no leste do país, onde nove pessoas morreram, segundo a mídia local.

As principais rodovias foram inundadas nas partes sul e leste do país, e a companhia ferroviária disse que todos os trens foram parados.

Em Liege, uma cidade de 200 mil habitantes, o rio Meuse transbordou e o prefeito pediu às pessoas que moram nas proximidades para que se refugiassem em locais mais altos.

Algumas cidades viram o nível dos rios subir a patamares sem precedentes e as ruas se transformaram em rios.

Cerca de 10 casas desabaram em Pepinster, após o rio Vesdre inundar a cidade. Moradores foram evacuados de mais de mil casas.

E na Holanda, na França...

No sul da Holanda, perto das fronteiras com a Alemanha e a Bélgica, autoridades da cidade de Valkenburg evacuaram uma casa de repouso e um hospício durante a noite.

Uma enchente também transformou a rua principal da cidade turística em um rio.

O governo holandês enviou cerca de 70 soldados à província de Limburg na noite de quarta-feira (14). Não há relatos de feridos ou mortos relacionados a enchentes na Holanda até o momento.

Chuvas excepcionalmente intensas também inundaram uma parte do nordeste da França nesta semana, derrubando árvores e forçando o fechamento de dezenas de estradas.

Uma rota de trem para Luxemburgo foi interrompida e os bombeiros evacuaram dezenas de pessoas de casas perto da fronteira com Luxemburgo e Alemanha e na região de Marne.

O equivalente a dois meses de chuva caiu em algumas áreas nos últimos um ou dois dias, segundo o serviço nacional de meteorologia da França

O serviço meteorológico francês prevê mais chuvas nesta quinta-feira (15) e divulgou alertas de inundação para 10 regiões.

 

 



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