CPI da Covid ouve nesta quarta-feira Élcio Franco, número 2 do ex-ministro Eduardo Pazuello

Ex-secretário-executivo deve ser questionado sobre compras e distribuição de insumos e sobre falta de resposta às ofertas da Pfizer. Comissão também pode votar pedidos de quebra de sigilo.


Por G1 — Brasília em 09/06/2021 às 08:45 hs

CPI da Covid ouve nesta quarta-feira Élcio Franco, número 2 do ex-ministro Eduardo Pazuello
Ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, em imagem de janeiro — Foto: Reproduçã

 

A CPI da Covid no Senado ouvirá nesta quarta-feira (9) o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde Antônio Élcio Franco. Ele foi o número 2 da pasta durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello.

A oitiva de Franco chegou a ser marcada para o último dia 27, mas o coronel da reserva do Exército informou à CPI que não poderia comparecer por estar se recuperando da Covid.

O depoimento foi, então, reagendado. Atualmente, Élcio Franco é assessor especial da Casa Civil da Presidência da República.

No depoimento, o militar deve ser questionado pelos senadores sobre compras e distribuição de insumos necessários ao enfrentamento da pandemia.

O coronel também terá de dar explicações sobre as negociações para a aquisição de vacinas – e, mais especificamente, sobre o fato de o governo ter ignorado mensagens e se recusado a assinar contrato com a Pfizer para receber um grande lote de vacinas já no ano passado.

De acordo com o gerente-geral da Pfizer na América Latina, Carlos Murillo, Franco tratou diretamente com a farmacêutica durante as ofertas feitas – e recusadas – pelo governo ainda em 2020. Veja no vídeo abaixo:

"Chefe" de Élcio Franco durante a temporada no ministério, o ex-ministro Pazuello já foi ouvido pela CPI ao longo de dois dias – e será reconvocado pela comissão em data a ser definida.

À comissão, Pazuello afirmou que nunca chegou a tratar diretamente com a Pfizer sobre a compra das doses.

Após esse depoimento, o vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (Rede-AP) informou que a Pfizer enviou, ao todo, 53 e-mails ao governo brasileiro sobre o lote de vacinas em 2020. Documentos também revelaram que uma carta da Pfizer cobrando resposta chegou ao gabinete do presidente Jair Bolsonaro.

Vírus de computador atrapalhou

Na última semana, também veio à tona um e-mail de novembro de 2020 em que Élcio Franco credita a falta de respostas à Pfizer a um vírus na rede de computadores da pasta.

A cópia do e-mail foi enviada à CPI da Covid e obtida pela TV Globo. Em novembro, o Ministério da Saúde disse ter encontrado indícios de que os sistemas da pasta tinham sido alvos de ataques cibernéticos. Houve intermitência e até queda nas bases de dados da pasta. O secretário disse não ter recebido os anexos com dados logísticos sobre a vacina.

"Informo que, em virtude de um problema de vírus em nossa rede do Ministério da Saúde, estamos com uma série de dificuldades de conexão em rede e abertura de e-mails, o que dificultou ou até impediu o acesso aos arquivos enviados até a presente data, assim como sua respectiva análise", escreveu Franco em 10 de novembro de 2020.

Em seguida a essa comunicação, a Pfizer enviou uma série de outras mensagens ao governo brasileiro, com diferentes ofertas ainda em 2020. O primeiro contrato da farmacêutica com o governo Jair Bolsonaro, no entanto, só foi assinado em março deste ano.

Quebras de sigilo

Os senadores da CPI da Covid também devem votar, nesta quarta, a retirada do sigilo de documentos que a comissão recebeu nas últimas semanas e que não tiveram justificativas plausíveis para serem mantidos em segredo.

Segundo Randolfe Rodrigues, a lista deve incluir papéis sobre as ofertas de vacinas da Pfizer e ofícios do Ministério das Relações Exteriores sobre a cloroquina – remédio comprovadamente ineficaz contra a Covid.

A CPI também pode votar nesta quarta a quebra dos sigilos telefônicos e de dados de pelo menos 17 pessoas que atuaram na estratégia do governo federal de combate à pandemia.

A lista inclui os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o assessor internacional da Presidência da República Filipe Martins, além de ex e atuais gestores do Ministério da Saúde e especialistas apontados pela CPI como integrantes do chamado "gabinete paralelo".

Há ainda, sobre a mesa da CPI da Covid, requerimentos pendentes que tratam da convocação do deputado Osmar Terra (MDB-RS) e do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Os dois são apontados como integrantes do suposto gabinete paralelo que assessorava Jair Bolsonaro sobre o enfrentamento à Covid.

 

 



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