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Delmiro Gouveia,25/02/2024

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Relutante a produtos do Mercosul, França é principal favorecida por mercado agrícola fechado da UE

Agricultores franceses são maiores beneficiários de subsídios da UE; acordo com Mercosul potencialmente mudaria cenário


Relutante a produtos do Mercosul, França é principal favorecida por mercado agrícola fechado da UE Imagem: Reprodução
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O setor agrícola, parte dos parlamentares e até o presidente da França, Emmanuel Macron, se posicionam contrariamente aos termos do acordo Mercosul-União Europeia. O tratado comercial mudaria a dinâmica do agro no continente, que atualmente beneficia os franceses.

No bloco europeu, a dinâmica do agronegócio é regido pela Política Agrícola Comum (PAC) — que unifica regras para o setor nos países-membros. O conjunto de normas traz medidas de mercado e subsídios a agricultores.

Segundo levantamento da CNN com base em dados da Comissão Europeia, a França é o principal beneficiário da PAC, tanto nos pagamentos diretos aos agricultores quanto no gasto com desenvolvimento rural no continente.

Entre 2015 e 2021, os agricultores franceses receberam em pagamentos diretos da União Europeia o equivalente a R$ 262 bilhões. Isso representa 18% do total gasto do bloco neste tipo de operação.

O gasto total da PAC foi equivalente a 23,64% do dispêndio da União Europeia em 2022.

Além de grande beneficiária, a França foi um dos líderes da construção histórica da PAC, com foco na integração agrícola no bloco europeu.

Junto aos franceses, a Irlanda, nos últimos anos, também se posicionou contra reformas na PAC e vetou propostas para redução destes subsídios domésticos.

Os franceses justificam, internamente, sua posição com alegadas preocupações com segurança alimentar e sobrevivência da agricultura familiar.

O presidente Lula vem criticando o protecionismo da França e de outros europeus aos mercados domésticos. Segundo o petista, as partes se negam a assinar o acordo com o Mercosul a fim de defender seus produtores.

O acordo Mercosul-UE chegou a ser encaminhado em 2019, mas foi frustrado pelos europeus com novas demandas sobre sustentabilidade dos produtos sul-americanos. O governo brasileiro viu no movimento “protecionismo verde” do bloco.

Além dos subsídios, a política agrícola do bloco — considerada fechada por especialistas — traz tarifas e quotas de importação e barreiras não-comerciais.

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