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Delmiro Gouveia,27/05/2024

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Como a eleição de Milei pode impactar a economia brasileira

Economistas consultados pela CNN indicam que corte de relações com o Brasil não deve ir além do discurso político


Como a eleição de Milei pode impactar a economia brasileira Imagem: Reprodução

Javier Milei (La Libertad Avanza), presidente eleito da Argentina neste domingo (19), afirmou durante sua campanha que poderia cortar relações com o governo brasileiro e mesmo abandonar o Mercosul, o que traz dúvidas sobre o futuro dos laços comerciais do Brasil com seu principal parceiro na região.

Sobre a possibilidade de Milei romper com o Brasil, economistas consultados pela CNN indicam que a afirmação não deve ir além do discurso político.

“Acho que não tem risco nenhum. Foi muito mais um discurso para mostrar que era contra a esquerda”, disse o ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Troster.

Em 2022, a Argentina foi o terceiro maior importador de produtos do Brasil, com cerca de US$ 13,09 bilhões (cerca de R$ 63,61 bilhões) na balança comercial, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

O vizinho também figurou como o terceiro principal exportador de bens brasileiros, somando US$ 15,34 bilhões (R$ 74,55 bilhões).

Na balança parcial de 2023, entre janeiro e outubro, a Argentina aparece como terceiro maior exportador, com US$ 14,90 bilhões (R$ 72,41 bilhões), mas perde uma posição nas importações, totalizando US$ 10,15 bilhões (R$ 49,32 bilhões).

Apesar das sinalizações de Milei sobre possível afastamento do país, o principal interlocutor de Brasília na campanha do novo presidente argentino, Guillermo Francos, afirmou recentemente que eventual vitória do ultralibertário não afetará a relação.

O ex-diretor do Banco Central (BC), Luiz Fernando Figueiredo, diz não acreditar em relação próxima entre Milei e Lula. Porém, pontua que o sucesso do novo mandatário em seus planos econômicos é benéfico ao Brasil por ter um vizinho financeiramente mais saudável.

Mercosul

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nos últimos meses que Milei ameaça o Mercosul — o presidente eleito critica duramente o bloco econômico de forma pública.

Apesar dos ataques, Alexandre Pires, professor de relações internacionais e economia no Ibmec-SP, pontua que, segundo o tratado do Mercosul, Milei precisaria de maioria absoluta no Congresso argentino para deixar o bloco.

“Milei não terá o condão de unilateralmente romper com o tratado”, explica. “Mas é mais uma presidência dentro do bloco contrário à forma como o Mercosul está organizado atualmente”.

No fim de setembro, Haddad chegou a afirmar que o acordo com a União Europeia pode tornar o Mercosul mais atraente e servir como “antídoto” ao bloco na possibilidade da eleição de Milei.

Negociadores do Mercosul e da União Europeia voltam a se reunir na próxima semana, em Brasília, para encaminhar um acordo de livre comércio entre os países.




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